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30 de Maio de 2020

O delegado x a zeladora

Meirielen do Rocio Rigon, Advogado
há 5 anos

Há alguns dias vem recebendo atenção da mídia o caso da zeladora da polícia federal de Roraima que comeu um bombom do delegado enquanto realizava limpeza na sala deste.

Muitos, inclusive eu, acharam absurda a proporção que a coisa toda tomou, acredita-se que o delegado tenha abusado de sua autoridade ao imputar a zeladora o crime de furto por ter sido apenas um mero bombom.

Analisando melhor a questão pode-se afirmar que de bombom em bombom é que nos encontramos na atual conjuntura política de hoje. Furtar um bombom pode parecer pequeno demais para mover toda uma máquina judiciária, pode parecer exagero do delegado, mas o fato que isso nada mais é um reflexo da revolta dos rumos que o país tomou nos últimos anos.

Somos o país do “deixa pra lá”, do “jeitinho”, do povo alegre, mas pacato, que acaba aceitando tudo sem questionar. O caso do delegado e da zeladora retrata, na verdade, a certeza da impunidade, a certeza de que pegar uma coisa que não é sua, não vai trazer nenhuma consequência afinal é só um bombom.

O fato é: pode ser sim só um bombom, mas não era da zeladora, portanto ela não deveria ter pegado o que não era seu. Não se questiona aqui se houve ou não abuso de autoridade por parte do delegado, não se questiona o que o levou a tomar as medidas que tomou, mas o fato é que houve um crime, furto famélico? Crime de bagatela? Direito criminal não é a área que me atrai, no entanto o que ficou evidenciado no caso é que somos coniventes com pequenos crimes, que somos totalmente a favor de quem pega o que não é seu e saímos as vezes em defesa destes.

Desta forma como podemos reclamar e ficar indignados quando se encontra dinheiro mal explicado em contas na Suíça de nossos políticos? Como podemos nos indignar com as pedaladas fiscais? Com as falcatruas encontradas na Lava Jato? E todos os outros “pequenos furtos” cometidos pelos políticos com o dinheiro público? A verdade é que de bombom em bombom que se chega ao atual estado de corrupção.

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